É possível ser vítima de fraude bancária e reverter a situação? Vai depender das provas de que foi vítima de fraude?

Estudo de Caso – Fraude Bancária

Fraude bancária contra idosos

│Fatos

A confusão começou quando o banco liberou um empréstimo consignado à nossa cliente seu o seu consentimento. O dinheiro caiu na conta dela e, no mesmo instante, foi sacado. Ou seja, a coitada teve que pagar por um empréstimo que nunca fez e nem recebeu o valor, tudo mediante desconto, todo mês, no benefício do INSS.

Ela tentou resolver no banco, mas a conversa era sempre a mesma: “não podia cancelar porque ela deveria devolver o dinheiro emprestado”.

│Problema

O desafio aqui era duplo: primeiro, provar que uma senhora com dificuldade visual e pouca instrução não tinha feito aquelas operações complexas no caixa eletrônico.

Segundo, enfrentar o banco que se recusava a mostrar as imagens das câmeras de segurança e ainda por cima dificultava o acesso aos extratos antigos.

Era a luta do “Davi contra o Golias”, onde o banco tem todos os registros e o cliente só tem a sua palavra e os descontos no contracheque.

│Investigação

Fizemos o levantamento de todo o valor que havia sido descontado pelo INSS, além de possíveis casos semelhantes daquele banco.

Descobrimos que o banco já tinha sido condenado em uma ação coletiva por práticas idênticas, onde teve de fazer um acordo (TAC) e pagou milhões, justamente porque seus funcionários do “Posso Ajudar” usavam a senha e o cartão de idosos para fazer empréstimos sem eles saberem.

Juntamos também decisões recentes de outros estados mostrando que o banco era reincidente nesse “jeitinho” de bater metas.

│Defesa

No processo, usamos argumentos de peso:

  • Inversão do Ônus da Prova: Como ela é “hipervulnerável” (idosa e deficiente visual), o banco é quem tem que provar que ela realmente assinou o contrato e sacou o dinheiro, não o contrário.

  • Responsabilidade Objetiva: Pela Súmula 479 do STJ, o banco responde pelas fraudes cometidas por terceiros no seu sistema.

  • O Banco Rebateu: Tentou dizer que havia assinaturas manuais e logs de sistema, mas não conseguiu explicar como uma pessoa com glaucoma faria operações tão seguidas e confusas sem ajuda.

│Desfecho

O juiz reconheceu que o empréstimo foi proposto unilateralmente, por isso, o banco foi condenado a devolver os valores descontados indevidamente e a pagar uma indenização por danos morais para compensar todo o nervoso que a cliente passou.

Contudo, o juízo considerou que não conseguimos provar que não foi nossa cliente quem efetuou os saques. Por isso condenou nossa cliente a devolver o valor do empréstimo.

Apesar disso, no encontro de contas, nossa cliente acabou sendo indenizada por um bom valor, embora não pelo valor pedido inicialmente. 

│Lição

O aprendizado que fica é valioso:

  1. Cuidado com a “Ajuda”: Nunca entregue seu cartão ou senha para ninguém no banco, nem para quem está de uniforme e crachá de “Posso Ajudar”.

  2. Documente Tudo: Se desconfiar de algo, faça o B.O. e guarde os comprovantes de conversa com o banco.

  3. Não Tenha Medo: O banco é grande, mas a lei é para todos. Com as provas certas, a gente consegue fazer justiça.

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